terça-feira, maio 21

7 tecnologias para alavancar o setor industrial no Brasil

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A indústria é um dos carros-chefes da economia no Brasil, representando quase 70% da exportação de bens e serviços e 23,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o setor emprega um quinto de toda a mão de obra no país e ainda responde por 66,4% dos investimentos em P&D. Neste 25 de maio é comemorado o Dia da Indústria e, seis especialistas em tecnologia falam sobre novidades e tendências em gestão, logística e automação, e-commerce e publicidade, para o segmento.

Quais são as 7 tendências na indústria brasileira?
Logística
A chamada inteligência de localização é uma das tendências de negócios que está movimentando uma soma milionária no mundo inteiro. De acordo com previsão da Future Marketing Insights, até o final deste ano o mercado de inteligência de localização atingirá um patrimônio de US$ 18,85 bilhões e, até 2033, ultrapassará a marca dos US$ 81,71 bilhões. “Por meio da inteligência de localização, é possível planejar as rotas e economizar tempo, dinheiro e combustível — sem falar na redução de emissões de gases poluentes. O roteamento inteligente é a solução para alinhar a expectativa dos clientes por entregas cada vez mais rápidas, sem abrir mão da segurança nas estradas”, afirma Fabiano dos Santos, CEO do Grupo Verante, holding empresarial catarinense que administra a empresa Near Location,.

A novidade possui ainda aplicações no agronegócio, otimizando a gestão de recursos por meio da logística interna. Com o mapeamento da propriedade é possível realizar o monitoramento de máquinas e o transporte de insumos e, na “porteira para fora”, entram todas as funções de planejamento de rotas e acompanhamento em tempo real que contribuem para evitar perdas.

Gestão
A automação de processos é umas das principais estratégias para melhorar a eficiência da indústria; ferramentas como ERPs, são fundamentais nesta jornada e contribuem para que as áreas trabalhem de maneira integrada, reduzindo erros e aumentando a produtividade. Um bom sistema de gestão pode revolucionar a forma como a indústria organiza seus processos e realiza suas entregas. E principalmente, gerar a competitividade que precisa para sustentabilidade do negócio. Um ERP integrado, como o WK Radar, desenvolvido pela WK, contribui para redução de retrabalho e tomada de decisões baseada em dados confiáveis, gerando economia, evitando desperdícios e aumentando a eficiência industrial. Na produção, por exemplo, a função de ordens mestras de produção gera ordens de forma automatizada, sem a necessidade de intervenção humana. O sistema avalia os pedidos de venda e a necessidade de produção, cruza essas informações com o saldo de estoque e, a partir daí, gera as ordens, sem criar produtos excedentes.

O tempo de paradas não-programadas e preventivas também pode ser otimizado com o sistema de gestão, haja vista que eles ajudam a monitorar e controlar a produção em tempo real, permitindo que ajustes sejam feitos de forma mais eficiente e rápida. Por meio do ERP nas fábricas e indústrias, é possível também realizar o controle de estoque. Os gestores da planta podem acompanhar em tempo real a entrada de pedidos e as necessidades de produção, realizando a gestão de compras e inventário baseados em dados confiáveis e atualizados. Esse cuidado evita desperdício de matéria-prima, bem como previne gaps na produção por falta de materiais.

Em uma indústria de eletrodomésticos, por exemplo, um ERP possibilita controle dos subprodutos e do tempo de cada etapa/fases da linha de produção e com isso ganhos na qualidade e confiança das informações, principalmente no que diz respeito para calcular custo do produto. Nesse mesmo segmento a WK, atende uma indústria de bebedouros e purificadores. Para fazer as baixas das perdas demoravam um dia. Hoje esta atividade é realizada de forma automática , com a eliminação de mais de cinco planilhas, ou seja, ganho de 100%.

Ativos e captação de recursos
A digitalização de ativos e a possibilidade de realizar negociações de maneira rápida e segura, tem inaugurado uma nova era na economia. A utilização de tokens pela blockchain para fazer transações já é uma realidade em vários mercados e tem se expandido para a indústria também.

A conversão de serviços ou produtos em certificados digitais é apenas uma das possibilidades que essa nova tecnologia pode proporcionar.

O BizHub, ecossistema de inovação e tecnologia da A&M no Brasil, em uma parceria com a blockchain brasileira Hathor, desenvolveu uma plataforma de tokenização de ativos variados para empresas. Além de digitalizar, esse novo produto também é um ambiente de negociação. A interface final da ferramenta é gerenciada pela própria Hathor.

“Atualmente quase tudo pode ser tokenizado. Nossa ideia é simplificar a entrada de empresas nesta nova tecnologia. Os ativos podem ser variados tanto olhando para IoT (sigla em inglês para Internet das Coisas), como agronegócio ou entretenimento, por exemplo. As possibilidades que esta solução oferece são muito abrangentes”, afirma Tiago Nascimento, diretor de tecnologia do BizHub.

Esses tokens são programados com códigos criptografados, utilizados como representações válidas e virtuais de bens reais. A blockchain é um espaço mais ágil e seguro para negociações que o próprio mercado financeiro tradicional. Ao substituir a intermediação de agentes humanos por códigos criptografados em um ambiente aberto, também consegue ser mais seguro e confiável para trocas financeiras. Com essa funcionalidade, a depender das políticas de cada negócio, os investidores também conseguem participar de mercados de ativos de qualquer natureza, pagando menos e diversificando mais suas carteiras.

Varejo
No varejo físico, uma das dores da indústria é evitar prejuízos com a ruptura de estoque no ponto de vendas (PDV). Esse problema acontece quando o cliente deseja o produto, mas ele não está disponível na prateleira. Essas situações geram prejuízo, pois a venda não acontece. A inteligência artificial pode evitar essas situações e ajuda a indústria a tomar decisões para melhorar a experiência do consumidor na hora da compra.

Um exemplo de como funciona a tecnologia é o da Quatá Alimentos, indústria alimentícia que conta com sete fábricas em quatro estados brasileiros. Desde 2018, a empresa usa o Involves Stage, solução de gestão e inteligência para indústria e varejo desenvolvida pela Involves, para reduzir as perdas e aumentar o faturamento. Logo no primeiro mês, a ruptura caiu de 34% para 24% e, no terceiro mês, já havia diminuído para 20%, representando uma queda de 14% em apenas 90 dias.

“O impacto de uma solução que usa reconhecimento por imagem e inteligência artificial gera dados altamente confiáveis. Isso permite rever estratégias e resolver os desafios da ruptura de estoque. O planejamento de reposição de produtos e a produtividade da equipe que atua nessa área são otimizados, assim, é possível focar nos problemas, agilizar a reposição e melhorar resultados”, afirma André Krummenauer, CEO da Involves, empresa especializada em desenvolver tecnologia para melhorar a estratégia da indústria e do varejo em lojas, supermercados, farmácias entre outros.

E-commerce
Cada vez mais as marcas industriais estabelecem mercados para além da comercialização B2B (Business to Business, ou seja, para outras empresas), mas investem também em lojas virtuais e oferecem produtos diretamente para o consumidor final. Nestes casos, desafios importantes surgem para a indústria quanto ao e-commerce, como a fidelização do cliente à marca, as formas de organização da logística e gestão integrada de seus processos. Para melhorar a operação, apostam em tecnologias, como os softwares, que aumentam o controle e integram o maior número possível de soluções.

Ao perceber o espaço para tecnologias que otimizem a logística do e-commerce, e indústrias, Fernando Sousa fundou e dirige, junto a outros parceiros de negócio, a startup Boxlink. Na solução, a regra é fidelizar clientes por meio da entrega otimizada dos produtos aliada a utilização do espaço de acompanhamento da entrega para apresentar novas oportunidades de compra para o cliente nas sessões de envio. “Quando a venda é finalizada no e-commerce, as marcas repassam a responsabilidade da entrega para a transportadora. E sabemos que esse momento de espera para o consumidor é de muita expectativa. Qualquer erro ou alteração de rota, a responsabilidade fica para a marca vendedora”, diz o diretor.

Com o software da Boxlink, todos os processos ligados ao envio são colocados em uma única plataforma que carrega a marca da indústria vendedora: acompanhamento do objeto, coleta e análise de dados sobre as empresas de logística mais adequadas à entrega e sobre a operação interna, integrando ERP, e-commerce, marketplace e transportadoras em um único lugar. “Todas as ferramentas chegam no sentido de aumentar o controle da indústria na experiência de envio ou mesmo entrega reversa para seus clientes”, declara Sousa. Com um bom controle do processo, a entrada na indústria no e-commerce tem grandes vantagens.

Indústria florestal
A indústria florestal realiza o plantio de 1,5 milhão de árvores por dia no Brasil. O setor é responsável por gerar um PIB de R$ 244 bilhões por ano, segundo o anuário da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), e tem investido em tecnologia para melhorar os processos da jornada de produção. Hoje, por meio de sensores, hardwares e softwares instalados no maquinário florestal, é possível garantir mais eficiência e sustentabilidade. Planejamento otimizado, execução eficiente, controles de máquina precisos e fluxos de trabalho automatizados são alguns dos resultados.

“Uma preocupação muito grande das empresas do setor é a melhoria contínua. Elas procuram fornecedores de tecnologia com o objetivo de entender o que está acontecendo nas fazendas e o que pode ser aprimorado, seja para garantir resultados mais satisfatórios ou para eliminar os custos desnecessários”, comenta Claudia Garcia, Gerente de Contratos Florestais da divisão de Agricultura da Hexagon, que desenvolve soluções digitais para operações agrícolas e florestais e monitora mais de 5 milhões de hectares de floresta plantada em todo o mundo.

Uma das tecnologias desenvolvidas pela empresa para o setor é o HxGN AgrOn Gestão Operacional. O sistema permite o gerenciamento de informações georreferenciadas das operações florestais e através de um processamento automatizado, apresenta as informações na forma de relatórios com mapas temáticos, gráficos e tabelas exportáveis disponíveis online. “Os ganhos para o gestor a partir do bom uso desses dados são muitos, pois ele consegue saber onde estão os gargalos da operação e o que é possível melhorar”, afirma Claudia.

Retail Media
O cenário do varejo brasileiro está passando por uma revolução silenciosa impulsionada pela ascensão do Retail Media. De olho na oportunidade de acelerar os resultados de venda das indústrias com soluções que atinjam a audiência certa, no momento e canal certo, é que a startup especializada na estratégia Newtail surgiu. A plataforma permite que o varejo venda seus ativos de publicidade diretamente para a indústria, possibilitando que campanhas de publicidade sejam segmentadas e mensuradas de ponta a ponta.

Segundo a empresa norte-americana Statista, a previsão é de que o Retail Media já movimente US$ 168 bilhões globalmente e que deva crescer 22% ao ano. No Brasil, está começando a tomar espaço — a previsão do IAB Brasil é de que o investimento aqui alcance uma receita total de R$2,6 bilhões em 2023. “Com Retail Media, é possível ter diversas vantagens: estar dentro da jornada do consumidor, ter preço variável e poder estar dentro do varejista (on site) ou fora (off site). A mensuração é total, sendo possível fechar o ciclo de conversão em loja física, mesmo quando o impacto foi gerado através do digital”, afirma Rafael Amorim, CTO da startup.

A estratégia pode acontecer por meio de diferentes formatos: display on-site (dentro do varejo, com produtos patrocinados, vídeo, CRM) e off site (redes sociais, email, SMS e Whatsapp). Ainda há outros formatos em desenvolvimento, como o Digital Signage, que utiliza painéis eletrônicos em espaços públicos para divulgações, e a Connected TV, que utiliza recursos das Smart TVs como meio para publicidade.

 

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