A industrialização da construção civil e o fim da obra artesanal no Brasil

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Elmar Juan Passos Varjão Bomfim

Em meio às transformações recentes do setor construtivo, um movimento silencioso vem alterando a forma como o Brasil ergue suas edificações e suas obras de infraestrutura: a industrialização dos processos de construção. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, ex-presidente da OAS, acompanha de perto essa transição, que substitui progressivamente métodos artesanais de canteiro por sistemas pré-fabricados, montagem racionalizada e produção controlada em ambiente fabril. A mudança não é apenas tecnológica: ela redefine prazos, custos, padrões de qualidade e até o perfil da mão de obra que o setor demanda.

Durante décadas, a construção brasileira operou sob uma lógica predominantemente manual, com alto desperdício de materiais, grande variabilidade de qualidade e dependência intensa de mão de obra no canteiro. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim pertence à geração de gestores que vivenciou os limites desse modelo em obras de grande porte e compreende por que a racionalização construtiva deixou de ser tendência para se tornar condição de competitividade. Quem não industrializar processos ficará para trás em um mercado cada vez mais pressionado por prazo e margem.

De onde vem o atraso histórico da construção brasileira em produtividade?

A produtividade da construção civil brasileira cresceu em ritmo muito inferior ao de outros setores da economia nas últimas décadas, um diagnóstico recorrente em estudos de entidades do setor. As causas são conhecidas: fragmentação da cadeia produtiva, baixo investimento em pesquisa, informalidade na contratação e resistência cultural a métodos padronizados. Esse quadro fez com que o custo de construir no Brasil permanecesse elevado mesmo em períodos de câmbio favorável e oferta abundante de insumos.

A leitura histórica desse atraso ajuda a entender o tamanho da oportunidade atual. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim observa um setor que, pressionado pela escassez de mão de obra qualificada e pela exigência crescente dos contratantes, finalmente encontra incentivos econômicos concretos para industrializar seus processos. Painéis pré-moldados, banheiros prontos, estruturas metálicas parafusadas e lajes alveolares deixaram de ser exceção em grandes projetos e passaram a compor o repertório padrão das construtoras mais competitivas.

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim

O que muda no canteiro quando a fábrica assume parte da obra?

A transferência de etapas construtivas do canteiro para a fábrica produz efeitos em cadeia sobre toda a operação. O canteiro torna-se um ambiente de montagem, com menos gente, menos resíduo, menos retrabalho e cronogramas mais previsíveis. Em contrapartida, o planejamento ganha peso decisivo: erros de projeto que antes eram corrigidos improvisadamente em obra tornam-se inaceitáveis quando os componentes chegam prontos para encaixe. A precisão milimétrica passa a ser exigência, não diferencial.

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, à frente de operações ligadas ao Grupo André Guimarães, reconhece que essa mudança exige um novo perfil de gestão, mais próximo da lógica industrial do que da tradição empírica do canteiro. Logística de suprimentos sincronizada, controle dimensional rigoroso e integração entre projeto e produção são competências que as construtoras precisam desenvolver internamente para capturar os ganhos que a industrialização promete. As que dominarem esse ciclo entregarão mais rápido, com menos custo e maior qualidade.

Um setor mais industrial é também um setor mais sustentável

A racionalização construtiva carrega um benefício ambiental frequentemente subestimado: a drástica redução de resíduos. A construção civil responde por parcela expressiva dos resíduos sólidos urbanos no Brasil, e a produção fabril de componentes reduz perdas de concreto, aço, madeira e revestimentos que o método tradicional desperdiça rotineiramente. Menos entulho significa menos transporte, menos aterro e menor pegada de carbono por metro quadrado construído.

Sob a perspectiva de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a convergência entre eficiência econômica e responsabilidade ambiental é o que torna a industrialização da construção um caminho sem volta. O mercado, os financiadores e os órgãos reguladores passaram a cobrar desempenho ambiental mensurável, e os sistemas construtivos industrializados oferecem exatamente isso: rastreabilidade, previsibilidade e redução comprovável de desperdício. A obra artesanal teve seu tempo; o futuro da construção brasileira será cada vez mais parecido com uma linha de produção bem gerida.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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