Linfedema no idoso: por que o membro que incha sem melhorar não é só má circulação? 

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Yuri Silva Portela

Conforme indica o Dr. Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, o inchaço persistente em um braço ou em uma perna é uma queixa que idosos frequentemente minimizam ou atribuem à má circulação sem buscar investigação adequada. Quando esse inchaço não melhora com elevação do membro, não melhora com o repouso noturno como o inchaço venoso comum e vai progressivamente tornando o membro mais pesado e endurecido, pode estar indicando linfedema, uma condição específica do sistema linfático com características e tratamento distintos do edema de outras origens. 

Nas próximas linhas, explicamos o que é o linfedema, por que ele acomete idosos com frequência crescente e o que pode ser feito para controlar o acúmulo e preservar a qualidade de vida de quem convive com essa condição.

O que é o sistema linfático e como ele falha no linfedema?

O sistema linfático é uma rede de vasos e gânglios que percorre todo o organismo e tem como função principal drenar o excesso de líquido dos tecidos e transportá-lo de volta para a circulação sanguínea. Quando esse sistema funciona adequadamente, os tecidos se mantêm com volume normal e o líquido intersticial é continuamente reabsorvido. No entanto, quando os vasos linfáticos são danificados, bloqueados ou insuficientes, o líquido se acumula progressivamente no tecido, produzindo o edema característico do linfedema.

Como detalha Yuri Silva Portela, no idoso as causas mais frequentes de linfedema incluem sequelas de tratamento oncológico, especialmente a remoção de gânglios linfáticos durante cirurgias de câncer de mama, próstata ou ginecológico, infecções repetidas que danificam os vasos linfáticos ao longo do tempo e, em regiões tropicais como o Brasil, a filariose linfática, infecção parasitária que obstrui os vasos linfáticos e ainda acomete populações em regiões de saneamento precário.

Como o linfedema se diferencia de outros tipos de inchaço?

Distinguir o linfedema de outras causas de inchaço nos membros é fundamental para que o tratamento adequado seja iniciado. O edema venoso, causado por insuficiência das veias, tende a ser bilateral, pior ao final do dia e a melhorar com elevação do membro e repouso noturno. O linfedema, por sua vez, frequentemente é unilateral, não melhora significativamente com elevação, tem consistência que com o tempo evolui de mole para endurecida e é acompanhado de sensação de peso, tensão e desconforto no membro afetado.

Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela

Na avaliação de Yuri Silva Portela, o sinal de Stemmer é um dos testes clínicos mais simples para identificar linfedema: quando não é possível realizar uma prega cutânea na base do segundo dedo do pé ou da mão do membro afetado, o teste é positivo e sugere fortemente a presença de linfedema. Esse sinal, de fácil realização durante a consulta, pode orientar o encaminhamento para avaliação especializada antes que o linfedema avance para estágios mais difíceis de tratar.

O que alivia o acúmulo e melhora a qualidade de vida?

O tratamento do linfedema baseia-se em quatro pilares complementares que compõem o que a literatura denomina terapia física complexa descongestiva. A drenagem linfática manual, realizada por fisioterapeuta especializado, estimula os vasos linfáticos superficiais a transportarem o líquido acumulado para regiões com drenagem preservada. A compressão com bandagens multicamadas ou meias de alta pressão mantém o volume reduzido alcançado pela drenagem. Os exercícios específicos de contração muscular ativam a bomba linfática natural do membro. Os cuidados com a pele, por sua vez, previnem infecções que podem agravar o linfedema.

Conforme ressalta Yuri Silva Portela, o linfedema não tem cura, mas tem controle eficaz quando o tratamento é iniciado precocemente e mantido de forma consistente. Por essa razão, o idoso que aprende a realizar a automassagem, a usar corretamente a meia de compressão e a proteger o membro afetado de infecções e traumas consegue manter o volume sob controle e preservar a funcionalidade do membro por muitos anos.

Prevenção de complicações e o papel do acompanhamento regular

A principal complicação do linfedema não tratado ou mal controlado é a erisipela, infecção bacteriana da pele que ocorre com facilidade no tecido linfedematoso e que, além de ser dolorosa e debilitante, agrava o linfedema de forma irreversível a cada episódio. Diante disso, idosos com linfedema precisam ser orientados sobre os cuidados preventivos que reduzem o risco de infecção: hidratação regular da pele, evitar ferimentos no membro afetado, não permitir coletas de sangue ou aferição de pressão no membro comprometido e buscar atendimento imediato ao primeiro sinal de vermelhidão ou calor local.

Yuri Silva Portela conclui que o linfedema é uma condição que exige parceria entre o idoso, sua família e a equipe de saúde. Um membro que incha sem parar não precisa ser aceito como destino: com o tratamento certo e o cuidado adequado, é possível controlar o volume, reduzir o desconforto e manter a autonomia que o linfedema ameaça progressivamente quando não é tratado.

 

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