Consórcio americano foi escolhido pela Enbridge para construir o túnel da Linha 5 em Michigan

Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca como o consórcio americano impulsiona o ambicioso projeto do túnel da Linha 5 em Michigan.
Em 9 de julho de 2024, conforme Paulo Roberto Gomes Fernandes, a Enbridge anunciou a escolha do consórcio responsável pela construção do túnel de sete quilômetros que abrigaria o trecho substituto da Linha 5 sob o Estreito de Mackinac, no Lago de Michigan. A decisão representou um avanço significativo para as comunidades da região, preocupadas há anos com os riscos ambientais associados ao oleoduto instalado no leito dos Grandes Lagos.
A empresa canadense selecionou uma joint venture formada pela Barnard Construction Company e pela Civil and Building North America (CBNA). Juntas, elas passaram a operar sob o nome Mackinac Straits Partners, com participação igualitária. Segundo a Enbridge, o túnel poderia abrigar, além do oleoduto, outras estruturas utilitárias, tornando o corredor subterrâneo uma solução multifuncional.
Tom Schwartz, vice-presidente sênior de oleodutos líquidos da empresa, afirmou que a contratação das duas empreiteiras representava “um marco para este projeto histórico”, reforçando a intenção de conduzir a obra com elevados padrões de segurança. A empresa aguardava, à época, a licença ambiental do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, sediado em Michigan. De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, o parecer era inicialmente esperado para 2024, embora o cronograma pudesse sofrer ajustes.
Projeto trouxe repercussão no Brasil pela possibilidade de uso de tecnologia nacional
A escolha do consórcio americano também repercutiu positivamente no Brasil. Isso ocorreu porque os Estados Unidos já conheciam as soluções desenvolvidas pela empresa brasileira Liderroll, cuja tecnologia era considerada adequada para enfrentar os desafios específicos do projeto, especialmente o declive inicial de 3,5 quilômetros e o aclive equivalente até a saída do túnel, a cerca de 40 metros abaixo do leito do lago.

A escolha da Enbridge reforça, segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, a relevância estratégica do consórcio americano na infraestrutura energética dos EUA.
Paulo Roberto Gomes Fernandes, que presidia a companhia brasileira, já havia apresentado suas soluções técnicas a engenheiros militares norte-americanos durante audiências presenciais e remotas. O histórico da empresa incluía êxitos em túneis de três e cinco quilômetros no Brasil, ambos executados para a Petrobras, o que consolidou sua reputação internacional.
As características físicas do túnel da Linha 5 representavam um desafio incomum: não seria possível realizar soldas internas devido aos riscos ambientais e operacionais, exigindo métodos alternativos de lançamento contínuo. Além disso, o peso da coluna de tubulação no trecho descendente e a complexidade da puxada ascendente demandariam soluções especializadas.
Liderroll apresentou tecnologias aptas a solucionar o declive e o aclive
Em entrevistas, especialistas destacaram que a tecnologia Exway, desenvolvida pela Liderroll, poderia ser aplicada no projeto. Trata-se de um sistema patenteado capaz de construir e instalar dutos em terrenos íngremes, montanhosos ou com variações acentuadas de cota, exatamente o tipo de condição encontrada no túnel da Linha 5.
A empresa brasileira vinha, inclusive, testando novos equipamentos em sua fábrica para ampliar a capacidade de resposta a desafios desse porte. A solução, caso adotada pelas empreiteiras americanas, permitiria lançar a tubulação sem soldas internas e com controle seguro da movimentação dos tramos, tanto no trecho descendente quanto no ascendente.
À época, engenheiros e executivos aguardavam a evolução do licenciamento ambiental e o laudo final do Corpo de Engenheiros, etapa necessária para dar início às obras civis do projeto, finaliza Paulo Roberto Gomes Fernandes.
Autor: Arnold Kirk








